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Saúde do homem além da próstata: como o Cuida organiza o cuidado entre as consultas

Dr. Guilherme Marques | Médico e CMO da Cannect
Revisão médica: Dr. Guilherme Marques | Médico e CMO da Cannect
Médico e CMO da Cannect • 06/11/2026 • 7 min de leitura • Conteúdo Verificado

Homem em consulta para cuidar da saúde

Resumo Rápido

A saúde do homem depende da prevenção ativa contra infartos, hipertensão e hábitos de risco, superando a visão restrita ao exame anual de próstata.

O acompanhamento contínuo monitora esses sinais no dia a dia, garantindo diagnóstico precoce e suporte constante fora do consultório.

Todo novembro, a saúde do homem ganha cor e campanha. Mas o que mais encurta a vida dos homens brasileiros vai muito além da próstata, e quase sempre se decide longe do consultório. Este texto reúne o que os números mostram, o que a evidência recomenda e como o Cuida organiza o cuidado entre uma consulta e outra. 

Os homens vivem menos e morrem mais cedo 

Pelas Tábuas de Mortalidade 2024 do IBGE, a expectativa de vida ao nascer é de 73,3 anos para os homens e de 79,9 anos para as mulheres, uma diferença de 6,6 anos. Entre 20 e 24 anos, a mortalidade masculina chega a 4,1 vezes a feminina.

Não é acaso nem biologia apenas. Nos homens, as causas externas, como acidentes e violência, aparecem como primeira causa de morte, seguidas das doenças do aparelho circulatório, com tendência de mortalidade precoce, antes dos 60 anos, por doenças crônicas.

Infográfico que mostra como a falta de cuidados com a saúde fazem os homens viverem menos.

Os hábitos ajudam a explicar o quadro. O consumo abusivo de álcool atinge 27,3% dos homens e 15,2% das mulheres nas capitais, e o tabagismo, 11,7% contra 7,2%.

Os homens respondem por 79% das mortes por suicídio no país. E chegam menos ao sistema de saúde: em 2019, 66,6% dos homens consultaram um médico no ano anterior, contra 80,6% das mulheres.  

Infográfico com as principais causas que afetam a saúde do homem

No câncer, a próstata lidera, mas não está sozinha. O INCA estima 77.920 casos novos de câncer de próstata por ano, e em seguida vêm cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%), tumores ligados a tabaco, álcool, alimentação e sedentarismo.

Infográfico com as principais condições que afetam a saúde do homem.

Quatro forças que atuam ao mesmo tempo 

  • Mortalidade precoce: doença cardiovascular, câncer, diabetes e causas externas. 
  • Comportamento de risco: álcool, tabaco, trânsito e menor adesão ao tratamento. 
  • Chegada tardia: o homem costuma entrar no sistema pela urgência, com a doença já instalada.
  • Especificidade masculina: próstata, saúde sexual e uma forma própria de adoecer emocionalmente.
  • Por isso, cuidar da saúde do homem significa olhar para a vida inteira, e não apenas para um exame anual. 

Três formas de mudar o desfecho 

1. Rastrear o que tem evidência 

Pressão arterial, glicemia, colesterol, consumo de álcool e tabaco são verificações simples e com benefício comprovado. A hipertensão mostra o tamanho da lacuna: no mundo, apenas 49% dos homens hipertensos sabem do diagnóstico, contra 59% das mulheres, e só 18% estão controlados, contra 23%, segundo o NCD Risk Factor Collaboration.

A prevenção também começa cedo: a vacina contra o HPV é oferecida em dose única a meninos e meninas de 9 a 14 anos, com resgate de adolescentes até 19 anos. 

2. Decidir junto o que é controverso

O exame de próstata é o melhor exemplo. O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional e orienta a decisão compartilhada sobre riscos e benefícios. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda avaliação individualizada a partir dos 50 anos, ou dos 45 para homens negros ou com parente de primeiro grau com a doença.

O maior estudo europeu sobre o tema, com 23 anos de seguimento, ajuda a entender a divergência: o rastreamento reduziu em 13% a mortalidade por câncer de próstata, mas foi preciso convidar 456 homens e diagnosticar 12 cânceres para evitar uma morte.

Há benefício real e também sobrediagnóstico, com risco de tratar tumores que nunca causariam dano. A resposta certa não é o exame automático, e sim a conversa informada com o médico. 

3. Ler os sinais que o homem não leva ao consultório 

A disfunção erétil, por exemplo, é também um alerta cardiovascular: num grande estudo americano, homens com o problema tiveram risco 45% maior de eventos cardiovasculares nos anos seguintes, um aumento comparável ao do tabagismo.

A depressão no homem costuma aparecer como irritabilidade, uso de álcool e comportamento de risco, e não como tristeza, o que ajuda a explicar por que passa despercebida. Mesmo com prevalência cerca de 1,5 vez maior nas mulheres, são os homens que mais morrem por suicídio.

E muitos procuraram ajuda antes: num estudo nacional dinamarquês, 32% das pessoas que morreram por suicídio tinham ido ao clínico geral no mês anterior, contra 19,4% da população comparada. 

Ir até onde o homem está 

Se o homem não vem, o cuidado precisa ir até ele. Nos Estados Unidos, um ensaio clínico levou o controle da pressão arterial para barbearias frequentadas por homens negros. Em seis meses, a pressão sistólica caiu 27 mmHg no grupo acompanhado de perto, contra 9,3 mmHg no grupo de orientação habitual, e 63,6% dos participantes atingiram a meta, contra 11,7%. A lição vale além da barbearia: proximidade e continuidade mudam o desfecho. 

Como o Cuida organiza o cuidado entre as consultas 

O Cuida não substitui o médico nem a consulta. Ele ocupa o intervalo entre uma consulta e outra, justamente onde boa parte da saúde do homem se perde.

A equipe de enfermagem acompanha o paciente de forma estruturada, verifica adesão, registra sinais de alerta e devolve ao médico informação organizada.

Quando algo foge do esperado, existe um caminho definido: manejo pela enfermagem, acionamento do médico responsável ou encaminhamento para atendimento imediato. Ninguém fica sem referência. 

Ao médico parceiro cabe ser o responsável nominal pelo paciente e responder aos acionamentos, sem obrigação de seguir sugestões ou de prescrever qualquer produto. O programa sugere; o médico decide. 

Porque boa parte da saúde do homem se decide entre uma consulta e outra. 


Referências

  1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Tábua completa de mortalidade para o Brasil: 2024. Rio de Janeiro: IBGE; 2025. 
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  1. Brasil. Ministério da Saúde; Instituto Nacional de Câncer. Nota Técnica nº 9/2023: rastreamento do câncer de próstata. Brasília: Ministério da Saúde; 2023. 
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