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Saiba o que é câncer de colo de útero e formas de cuidado

Dra. Maressa Barboza Eiras | Ginecologia e obstetrícia
Revisão médica: Dra. Maressa Barboza Eiras | Ginecologia e obstetrícia
CRM: 35460 PR • 15/10/2026 • 9 min de leitura
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Mulher fazendo exame preventivo de câncer de colo do útero

Resumo Rápido

O câncer de colo de útero é um tumor provocado por uma infecção persistente pelo vírus HPV. Inicialmente silencioso, a doença avançada pode causar sangramentos anormais e dor pélvica.

A prevenção acontece via vacina e exame de rastreio com teste de DNA-HPV e Papanicolau (citologia reflexa). Para quem já está com a infecção avançada, o tratamento combina cirurgia, radioterapia e quimioterapia, utilizando CBD adjuvante contra dores e enjoos.

O câncer de colo de útero é uma doença altamente prevenível e com altíssimas chances de cura quando diagnosticada precocemente.  

Lidar com incertezas na saúde íntima feminina gera ansiedade. Porém, com o acompanhamento contínuo de profissionais da saúde e equipes de saúde especializadas, é possível ter o cuidado necessário em todas as etapas do tratamento.   

Neste guia da Cannect, você vai entender o que é câncer de colo de útero, os sintomas mais evidentes, quais os exames essenciais para o diagnóstico, tratamentos disponíveis e prevenção.  

Qual a relação do câncer de colo de útero com o HPV? 

Câncer de colo de útero (ou carcinoma cervicouterino) é um tumor que surge a partir de alterações nas células do colo uterino provocadas pela infecção persistente por tipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV). 

O HPV é um vírus extremamente comum na população e, na imensa maioria das vezes, o próprio sistema imunológico elimina a infecção sem causar danos.  

O tumor só se desenvolve quando o vírus permanece no organismo por muitos anos, gerando lesões precursoras também chamadas de Neoplasias Intraepiteliais Cervicais ou NIC que, se não tratadas, podem evoluir para a doença.  

Entretanto, é importante lembrar que ter HPV não é o mesmo que ter câncer. Os fatores mais comuns associados ao câncer de colo de útero, são: 

  • presença dos tipos de HPV de alto risco (especialmente os tipos 16 e 18); 
  • início precoce da vida sexual e múltiplos parceiros sem o uso de barreiras de proteção; 
  • tabagismo; 
  • pessoas com imunossupressão como portadoras do vírus HIV ou transplantadas. 

Sintomas de câncer de colo de útero 

Os sintomas de câncer de colo de útero não costumam aparecer nas fases iniciais da doença.  Conforme as lesões progridem, o corpo começa a dar sinais que exigem avaliação médica imediata: 

  • sangramento vaginal anormal: sangramentos fora do período menstrual, após as relações sexuais ou em mulheres que já passaram pela menopausa; 
  • corrimento vaginal atípico: secreção em volume aumentado, com coloração rosada, castanha ou amarelada e odor forte; 
  • dor durante a relação sexual: desconforto ou dor na região pélvica durante ou logo após o contato íntimo; 
  • dor pélvica persistente: sensação de peso ou dor contínua na parte inferior do abdômen ou na região lombar; 
  • sintomas avançados: dificuldade para urinar ou evacuar, inchaço nas pernas e fadiga extrema decorrente de quadros anêmicos. 

Como é o diagnóstico para câncer de colo de útero? 

O diagnóstico do câncer de colo de útero começa com o exame de rastreio teste de HPV e papanicolau. Em caso de indícios de lesões ou alterações como HSIL (NIC 2/3 ou alto grau), o médico responsável pode solicitar a realização de exames complementares.  

Entre os exames utilizados para confirmar o câncer de colo de útero, os mais comuns são colposcopia associada à biópsia da lesão e exames de imagem da região pélvica. Conforme:  

  1. Colposcopia: o médico examina o colo do útero com uma lente de aumento especial para localizar a área exata da alteração para guiar a biopsia. 
  1. Biópsia Cervical: retirada de um pequeno fragmento do tecido para análise histopatológica em laboratório, determinando se há presença de tumor invasivo.  
  1. Exames de estadiamento (ressonância e PET-CT): avaliam o tamanho do tumor e se a doença está restrita ao colo do útero ou se atingiu tecidos e órgãos vizinhos. 

Tratamentos para câncer de colo de útero 

O tratamento para câncer de colo de útero varia conforme o estágio da doença, a idade da paciente e o seu desejo de preservar a capacidade reprodutiva. 

As opções englobam desde procedimentos cirúrgicos para lesões iniciais até radioterapia e quimioterapia para casos avançados.  

Além dos métodos tradicionais, há terapias de suporte que ajudam a aliviar os efeitos colaterais do tratamento, garantindo uma jornada mais confortável, segura e acolhedora. 

Tratamentos cirúrgicos 

A cirurgia é o recurso principal no combate a tumores em fases iniciais e lesões precursoras, atuando na remoção do tecido alterado com margens de segurança.  

A escolha da técnica considera a extensão da doença e a possibilidade de preservar a capacidade de engravidar. 

  • Conização (CAF): remoção de um pequeno cone de tecido do colo uterino. É indicada para lesões pré-cancerosas ou tumores microscópicos bem iniciais; 
  • Traquelectomia radical: retirada cirúrgica do colo do útero mantendo o corpo uterino e os ovários intactos, permitindo que mulheres jovens preservem o seu estoque de óvulos e a possibilidade de gestação no futuro. 
  • Histerectomia radical: cirurgia para retirada completa do útero, colo uterino, parte superior da vagina e linfonodos pélvicos, indicada para estágios intermediários. 

Quimioterapia e radioterapia 

Para estágios em que a cirurgia não é a primeira opção, o protocolo padrão combina radioterapia externa com braquiterapia (radioterapia interna aplicada diretamente no colo). 

Além disso, pode ser necessário sessões semanais de quimioterapia, geralmente com cisplatina, para potencializar o efeito da radiação. 

Relação entre sintomas e tratamentos para câncer de colo de útero 

Característica Estágios Iniciais e Lesões Pré-Cancerosas Estágios Moderados e Avançados 
Sintomas Visíveis Ausentes (quadro completamente silencioso) Sangramento pós-coito, dor pélvica e corrimento com odor 
Forma de Detecção Teste de DNA-HPV e Papanicolau (citologia reflexa) Consulta motivada por queixas físicas ou exames de imagem 
Tratamento Principal Conização cirúrgica simples ou traquelectomia Quimiorradioterapia combinada ou histerectomia radical 
Chances de Cura Próximas a 100% quando tratado na fase de lesão prévia Elevadas, mas exigem acompanhamento multimodal intensivo 
Preservação da Fertilidade Alta viabilidade por cirurgias conservadoras. Exige avaliação dos riscos e benefícios com congelamento prévio de óvulos. 

A cannabis medicinal como terapia adjuvante no manejo oncológico 

O Canabidiol atua como suporte complementar eficaz no alívio dos efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia pélvica, proporcionando mais conforto durante o tratamento oncológico. 

O tratamento do câncer com quimioterapia e radiação pode causar náuseas intensas, perda acentuada de apetite, dores neuropáticas e ansiedade.  

Dentro de uma abordagem clínica abrangente, os fitocanabinoides interagem com os receptores CB1 e CB2 do sistema endocanabinoide e com os receptores de dor TRPV1, promovendo: 

  • efeito antiemético: redução significativa de náuseas e vômitos refratários aos medicamentos convencionais; 
  • estímulo do apetite: auxílio na manutenção do peso corporal e prevenção da caquexia oncológica; 
  • manejo da dor e ansiedade: Ação analgésica sobre dores pélvicas e melhora do sono e da saúde mental da paciente; 

Existe prevenção para câncer de colo de útero? 

Como ginecologista, em minha prática, vejo o câncer de colo do útero como um retrato das desigualdades sociais em saúde.  

Trata-se de uma doença evitável, mas que ainda atinge sobretudo mulheres com menor acesso à informação, à vacinação e ao rastreamento.  

Medo do exame, vergonha, desinformação sobre o HPV e o estigma associado a uma infecção sexualmente transmissível afastam muitas pacientes do cuidado preventivo. 

Por isso, acredito que prevenir vai além de oferecer exames, exige acolhimento, escuta e comunicação sem julgamentos.  

Os avanços na vacinação e nos métodos de rastreamento são muito promissores, mas seu impacto depende de vínculo, informação de qualidade e suporte emocional, especialmente diante de um diagnóstico.  

Cuidar da mulher de forma integral é o caminho para transformar a redução dessa doença em realidade. 

A prevenção do câncer de colo de útero é realizada por meio da vacinação contra o HPV, aliada à realização periódica do exame preventivo de rastreio. A estratégia de prevenção se divide em duas etapas complementares: 

1. Prevenção primária  

  • vacina contra o HPV: disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de pessoas imunossuprimidas até os 45 anos. A vacina protege contra os tipos mais agressivos do vírus antes do início da vida sexual; 
  • uso de preservativos: reduz a transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis; 

2. Prevenção secundária  

  • Teste de DNA-HPV oncogênico por PCR: indicado para mulheres e pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos que já iniciaram a vida sexual, exame de biologia molecular que detecta a presença do vírus, realizado a cada 5 anos se normal.  
  • Citologia reflexa: o Papanicolau realizado na mesma coleta (meio líquido) do teste DNA-HPV, quando necessário, que detecta alterações nas células do ecto e endocérvice como NIC 2/3 e outras lesões de alto grau; 

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Perguntas Frequentes

Sobre quem revisou este conteúdo

Dra. Maressa Barboza Eiras | Ginecologia e obstetrícia

Dra. Maressa Barboza Eiras | Ginecologia e obstetrícia

CRM: 35460 PR

Médica formada há 10 anos com especialidade em Ginecologia desde 2019, atua clinicamente com foco na saúde da mulher, com acolhimento e excelência em cada etapa da jornada feminina, unindo ciência, empatia e escuta ativa para promover bem-estar e qualidade de vida.

"Cuidar da saúde da mulher vai além do diagnóstico — envolve escuta, respeito e excelência médica."


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