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Cannabinoides e endometriose: um sinal que merece atenção, não extrapolação 

Dr. Guilherme Marques | Médico e CMO da Cannect
Revisão médica: Dr. Guilherme Marques | Médico e CMO da Cannect
Médico e CMO da Cannect • 15/10/2026 • 3 min de leitura
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Mulher tirando óleo canabinoides da bolsa para tratar endometriose

Resumo Rápido

O uso adjuvante de extratos balanceados de THC e CBD demonstra potencial promissor no alívio da dor pélvica crônica e na redução do consumo de analgésicos em mulheres com endometriose refratária.

Embora preliminares e dependentes de ensaios clínicos maiores, as evidências apontam ganhos consistentes em funcionalidade, sono e qualidade de vida.

Um estudo prospectivo publicado em setembro na PLOS One acrescenta um dado clínico importante ao debate sobre canabinoides na endometriose. Vinte e sete mulheres com dor pélvica crônica, apesar do tratamento hormonal e analgésico, foram acompanhadas por três meses após o início de um extrato oral balanceado de THC e CBD, utilizado como terapia adjuvante.  

Os resultados chamam atenção. A intensidade média da dor caiu de 6,8 para 4,9 em uma escala de 0 a 10. Também houve redução dos dias com dor e do uso de analgésicos, além de melhora em fadiga, ansiedade, sensibilização central, incapacidade relacionada à dor e qualidade de vida.  

O esquema foi titulado lentamente até cerca de 10 mg de THC e 12 mg de CBD ao dia, sem escalada progressiva da dose durante o acompanhamento.  

O principal mérito deste estudo está em trazer um sinal clínico consistente e relevante em uma população de difícil manejo. A melhora observada em diferentes dimensões da doença, associada à redução do uso de analgésicos, reforça a possibilidade de que os canabinoides ocupem um espaço terapêutico importante no cuidado da endometriose. 

Os resultados, naturalmente, precisam ser interpretados à luz do desenho do estudo: trata-se de uma coorte pequena, de centro único, sem grupo placebo e com três meses de acompanhamento. Ainda assim, a convergência dos achados em diferentes desfechos, como dor, sensibilização central, funcionalidade e qualidade de vida, torna o sinal particularmente interessante e justifica avançar na investigação clínica.

Os eventos adversos foram predominantemente leves, embora fadiga e alterações de concentração e memória mereçam atenção durante o acompanhamento. 

Especialmente naquelas pacientes que permanecem sintomáticas apesar do tratamento convencional, formulações padronizadas de THC e CBD podem representar uma alternativa adicional para controle dos sintomas e, potencialmente, para redução da carga de analgésicos.  

A evidência ainda é preliminar, mas o caminho que se abre é relevante. Temos um sinal promissor, biologicamente plausível e acompanhado de resultados clínicos que merecem ser explorados em estudos maiores e controlados.

Ensaios randomizados e seguimentos mais longos serão fundamentais para definir com maior precisão quem mais se beneficia, quais esquemas oferecem melhor resposta e como incorporar essa estratégia de forma segura à prática clínica.


Referencia

Kratz JW, Velho RV, Bock S, et al. Evaluating the impact of cannabinoid extracts on chronic pain and quality of life in endometriosis patients: a pilot study. PLoS One. 2026;21(9):e0356768.

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