O CoA (Certificado de Análise) é o laudo técnico que atesta se o produto de cannabis medicinal atende aos parâmetros de qualidade e segurança estabelecidos e potência de canabinoides. Sempre dentro da faixa declarada e contaminantes dentro dos limites de referência.
Quando um médico prescreve um tratamento com fitocanabinoides, a primeira dúvida é: como ter certeza de que este produto é autêntico e seguro?
Diferente de uma tabela nutricional estampada em rótulos alimentares, o CoA não é um documento permanente do produto. É um laudo de auditoria laboratorial específico para cada lote fabricado.
Compreender o CoA é essencial para afastar riscos de contaminação e ter segurança do tratamento do início ao fim.
O Mercado de cannabis no Brasil e a necessidade de transparência
A busca por transparência no setor ganha urgência diante do avanço acelerado do mercado de saúde no país. De acordo com o Anuário do Mercado Cannabis 2025/2026, da Kaya Mind, o Brasil alcançou 873 mil pacientes ativos em cannabis medicinal, representando um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. O setor movimentou R$ 970,9 milhões, com projeções de superar a marca de R$ 1,1 bilhão.
Esse crescimento é acompanhado por mais de 50 mil médicos prescritores (cerca de 9% dos profissionais ativos no país) e um catálogo que supera 2.180 produtos disponíveis.
Diante de tanta diversidade de marcas e formulações, saber avaliar a origem e a composição do que se consome é tão indispensável quanto a própria indicação médica.
Como funciona um CoA?
Para ser considerado robusto e confiável, o certificado de análise de um produto à base de cannabis precisa cobrir um painel completo (full panel) de testes analíticos.
A independência do laboratório é condição essencial para a confiabilidade do teste e do certificado. O CoA deve ser emitido por um laboratório terceirizado (third-party testing), sem vínculo com o fabricante, evitando o conflito de interesse direto entre quem produz e quem certifica.
O que deve constar em um relatório laboratorial completo?
| Categoria do teste | Parâmetros analisados no CoA | Padrões e referências utilizadas |
| Potência e perfil terpênico | Concentração exata de CBD, THC, CBN, CBG e, quando aplicável, perfil aromático de terpenos | Expressa em mg/mL ou % (m/m); não há padrão farmacopeico brasileiro específico para potência de canabinoides até o momento |
| Solventes residuais | Resíduos de solventes do processo de extração | Diretrizes da ICH Q3C |
| Pesticidas | Resíduos de defensivos agrícolas do cultivo | Limites farmacopeicos (USP — Farmacopeia Americana; Farmacopeia Brasileira) |
| Metais pesados | Chumbo, arsênio, mercúrio, cádmio, entre outros | Limites farmacopeicos (USP; Farmacopeia Brasileira) |
| Micotoxinas | Toxinas fúngicas | Limites farmacopeicos |
| Análise microbiológica | Contagem de bactérias, fungos e mofos | Limites farmacopeicos |
| Atividade de água e matéria estranha | Nível de atividade aquosa e presença de material estranho à formulação | Limites farmacopeicos |
O que dizem as RDC´s 660/2022 e 1.015/2026?
Parte relevante dos produtos de cannabis medicinal consumidos no Brasil ainda depende de importação. A via de acesso escolhida determina qual regulamentação da Anvisa se aplica:
- importação por Pessoa Física (RDC nº 660/2022): permite ao paciente importar produto à base de cannabis para uso próprio, mediante prescrição médica e autorização prévia da Anvisa.
O CoA integra a documentação técnica exigida no processo, atestando os parâmetros analíticos do produto no país de origem, mas quem confere legalidade à importação é a autorização emitida pela própria Anvisa, não o certificado em si.
- produtos nacionais e de farmácia (RDC nº 1.015/2026): estabelece os requisitos de qualidade, rastreabilidade e boas práticas de fabricação para produtos comercializados no mercado interno.
Em ambos os casos, cabe ao fornecedor declarar a composição do lote, e essa composição deve corresponder ao que foi prescrito pelo profissional de saúde.
Classificação do espectro do extrato de acordo com o CoA
Após a realização dos testes de dosagem dos canabinoides no produto à base de cannabis. O laboratório responsável categoriza o extrato nos seguintes espectros.
- Full Spectrum: preserva todos os compostos naturais da planta, incluindo canabinoides secundários, terpenos, flavonoides e frações de THC. Sempre respeitando o limite legal estabelecido para comercialização no Brasil;
- Broad Spectrum: mantém a diversidade de canabinoides e terpenos da planta, mas passa por processo de purificação que reduz o THC a nível não detectável ou abaixo do limite de quantificação do método analítico;
- Isolado: apresenta alto grau de pureza de um único canabinoide (CBD, CBG ou outro, a depender da proposta terapêutica), tipicamente acima de 98–99%, sem a presença relevante de outros canabinoides. O percentual exato deve constar no CoA de cada lote.
O que observar no CoA antes de comprar o seu medicamento?
Ao comprar seu medicamento à base de cannabis, verifique as seguintes informações no CoA disponível na página do produto:
- Correspondência de lote: o número do lote registrado no CoA deve ser exatamente o mesmo impresso na caixa ou no frasco do produto.
- Datas de emissão e validade: certifique-se de que a análise laboratorial é recente e condiz com o período de fabricação do lote.
- Identificação do laboratório: o laudo deve exibir nome, selo de acreditação, endereço e assinatura do responsável técnico pelo laboratório. De preferência, um laboratório terceirizado e independente do fabricante.
- Painel de contaminantes zerado (Pass): confirme se os resultados de solventes residuais, metais pesados, pesticidas, micotoxinas e análise microbiológica estão dentro dos limites farmacopeicos de referência.
- Acesso fácil e QR code: marcas transparentes disponibilizam o laudo diretamente no site por meio de link aberto ou QR Code na embalagem.
Curadoria Técnica de produtos da Cannect
Todos os produtos passam pela curadoria técnica de produtos da Cannect. O processo conduzido por uma equipe de farmacêuticos especializados. Essa curadoria analisa, entre outros critérios técnicos:
- a consistência histórica dos CoAs ao longo dos diferentes lotes;
- fichas Técnicas e rótulos regulatórios;
- o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação (GMP) dos fornecedores.
Ao unir a verificação do CoA com a facilidade de dispensação e entrega do ecossistema integrativo, médicos e pacientes contam com maior segurança, previsibilidade e embasamento científico no tratamento.
Nosso portfólio conta com mais de 800 produtos para os mais variados tipos de tratamentos. Ao acessar a página de um produto, basta rolar a tela para encontrar o CoA, disponível para download a qualquer momento.
Entre em contato conosco e inicie sua jornada.