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A cannabis pode ser usada no tratamento do lúpus?

Andrei Semensato
Revisão médica: Andrei Semensato
15/02/2024 • 3 min de leitura • Conteúdo Verificado

A cannabis pode ser usada no tratamento do lúpus?

Resumo Rápido

O lúpus eritematoso é uma doença inflamatória crônica e autoimune em que os mecanismos de defesa do corpo atacam as células saudáveis, enfraquecendo o organismo e nos deixando indefesos contra vírus, bactérias e outras doenças

Lúpus é uma condição que se desenvolve a partir do sistema imunológico e pode afetar diversos órgãos. Embora seja uma doença de difícil detecção, ela está presente em aproximadamente 65 mil brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. A doença faz parte da campanha de Fevereiro Roxo, que busca conscientizar a população sobre essa e mais duas condições de saúde: fibromialgia e Alzheimer.

Um fator comum entre as três patologias é que todas podem ser tratadas com cannabis. Por outro lado, uma caraterística específica do lúpus é a carência de informações sobre suas causas e tratamentos disponíveis. E por esse motivo, a terapia canabinoide acaba ficando mais distante da maioria dos portadores. Continue a leitura para entender mais sobre o uso dos canabinoides para tratar o lúpus. 

O que é o lúpus?

Também segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o lúpus eritematoso sistêmico (ou apenas lúpus) é uma doença inflamatória crônica e autoimune. Cabe destacar que patologias consideradas autoimunes são aquelas causadas por algum problema do próprio sistema imunológico. Em outras palavras, os mecanismos de defesa do corpo atacam as células saudáveis, enfraquecendo o organismo e causando doenças.

Podemos classificar os tipos de lúpus em dois grupos:

  • Cutâneo: que se manifesta através de manchas avermelhadas na pele;
  • Sistêmico: capaz de se desenvolver em mais de um órgão.

Em geral, as regiões mais afetadas além da pele são as articulações, coração, rins, pulmão, vasos sanguíneos e as estruturas do sistema nervoso. 

O que leva uma pessoa a ter lúpus?

Embora as causas ainda não sejam conhecidas, a ciência sabe que fatores genéticos e hormonais podem colaborar para o desenvolvimento da doença.

No caso do lúpus cutâneo, o contato excessivo com raios solares é tido como uma das principais razões para o aparecimento das manchas. Contudo, isso não acontece com todos os pacientes e os órgão afetados nem sempre são os mesmos. 

O fato é que o contato com o sol e outros fatores externos pode causar alterações na produção de anticorpos, confundindo o sistema imunológico que ataca células saudáveis.

A cannabis pode tratar casos de lúpus?

Assim como em outros exemplos de doenças autoimunes, a cannabis pode trazer benefícios através do Sistema Endocanabinoide (SEC). Presente em todos os seres humanos, é responsável por regular a homeostase, função natural do corpo que mantém os processos do corpo em equilíbrio, incluindo o sistema imunológico. 

Conheça mais no vídeo abaixo:

Por outro lado, ainda não existem evidências concretas sobre o uso de canabinoides para tratar a patologia. As descobertas iniciais são baseadas em estudos de diferentes níveis, e caberá aos médicos decidir se irão prescrever a terapêutica para seus pacientes.

Estudos científicos

Segundo um estudo italiano que avaliou a relação entre o SEC e a resposta imunológica no controle do lúpus. A conclusão sugere que “abastecer” o corpo com fitocanabinoides, que são os componentes da cannabis, pode aumentar a capacidade de modular o sistema imunológico.

Combinando os dados, um outro estudo publicado na revista científica “Experimental Dermatology” sugere que a anandamida, um endocanabinoide produzido pelo corpo humano, também pode ajudar na regulação imunológica.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram ratos geneticamente modificados, separando-os em dois grupos: um recebeu o tratamento com nanopartículas de anandamida e outro um placebo. Depois de dez dias, a conclusão foi que os animais que receberam o composto completo apresentaram redução no tamanho e gravidade das lesões causadas pelo lúpus. 

A relação disso com a cannabis (embora faltem estudos) é que o canabidiol (CBD) e outros componentes possuem ação anti-inflamatória, analgésica e imunossupressora, podendo modular a resposta às inflamações, algo que já é feito pelo Sistema Endocanabinoide. 

Por fim, uma revisão sistemática feita por pesquisadores brasileiros a partir de uma base com mais de 200 artigos apontou que alguns fitocanabinoides podem reduzir as respostas inflamatórias erradas, através da modulação do SEC. Foram avaliados estudos com canabinoides naturais e sintéticos.

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