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Saiba a importância da prevenção do câncer de mama

Dra. Maressa Barboza Eiras | Ginecologia e obstetrícia
Revisão médica: Dra. Maressa Barboza Eiras | Ginecologia e obstetrícia
CRM: 35460 PR • 28/10/2026 • 14 min de leitura • Conteúdo Verificado

Mulher usando fita relembrando a importância da prevenção ao câncer de mama

Resumo Rápido

A prevenção do câncer de mama reúne hábitos de vida saudáveis e exames de imagem como a mamografia.

Detectar a doença precocemente aumenta as chances de cura para mais de 95%. O tratamento pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

A prevenção do câncer de mama é o passo mais importante para proteger a sua saúde e garantir que qualquer alteração seja identificada no início, quando as chances de cura ultrapassam os 95%.  

Ter acesso a informações corretas é o caminho mais seguro para afastar medos, reconhecer os sinais de alerta e saber exatamente quando procurar atendimento médico especializado. 

Neste guia da Cannect, você entenderá como funciona a prevenção para o câncer de mama, quais são os sintomas que exigem atenção, quem faz parte dos grupos de risco e quais são os tratamentos convencionais e complementares disponíveis. 

O câncer de mama e os fatores de risco 

O câncer de mama é um tumor maligno que surge pelo crescimento desordenado de células anormais nos ductos ou lóbulos mamários. 

Embora a doença possa se desenvolver por múltiplos fatores, a presença em grupos de risco não significa que o tumor irá surgir obrigatoriamente.  

A maioria dos casos está associada ao envelhecimento natural do corpo e a fatores ambientais que podem ser modificados ao longo da vida. 

Fatores de risco para câncer de mama 

Compreender os fatores de risco de câncer de mama é essencial para adotar medidas preventivas eficazes e definir a frequência ideal dos seus exames de rotina.  

É importante destacar que, apresentar um fator de risco não é uma certeza de que a doença irá se manifestar, assim como a ausência dele não garante imunidade total.  

Para orientar o acompanhamento médico e a prevenção, os principais fatores de risco câncer de mama são: 

1. Fatores de risco associados ao estilo de vida 

  • sedentarismo e ausência de atividades físicas regulares; 
  • sobrepeso e obesidade, especialmente após a menopausa;
  • consumo frequente de bebidas alcoólicas e tabagismo; 
  • terapia de reposição hormonal prolongada e sem acompanhamento médico. 

2. Fatores genéticos e biológicos

  • idade avançada (a incidência é maior após os 50 anos); 
  • histórico familiar direto de câncer de mama ou ovário (mãe, irmã ou filha); 
  • mutações genéticas hereditárias em genes como BRCA1 e BRCA2. 
  • primeira menstruação muito precoce (antes dos 12 anos) ou menopausa tardia (após os 55 anos). 

Sintomas de câncer de mama 

Os sintomas de câncer de mama costumam ser silenciosos nas fases mais iniciais, tornando a mamografia periódica fundamental para identificar lesões antes que sejam percebidas ao toque. 

Quando a doença está em estágio avançado, os sintomas passam a se manifestar de maneira física. Caso você alguns dos sinais abaixo, procure a ajuda de um médico especializado: 

  • nódulo fixo e indolor: presença de um caroço endurecido na mama, axila ou pescoço; 
  • alterações na pele da mama: vermelhidão, inchaço ou aspecto semelhante à casca de laranja;
  • mudanças no mamilo: retração, assimetria repentina ou descamação da região areolar;
  • secreção espontânea: saída de líquido transparente ou com sangue por um dos mamilos, sem que haja compressão; 
  • dor ou sensação de peso: desconforto pélvico ou dor persistente em uma das mamas sem relação com o período menstrual. 

Prevenção do câncer de mama 

A prevenção do câncer de mama envolve a combinação entre hábitos saudáveis e a realização periódica de exames de imagem. 

Estima-se que cerca de 17% dos casos de câncer de mama possam ser evitados apenas com a adoção de um estilo de vida saudável e protetor. 

Como ginecologista, entendo a prevenção do câncer de mama como uma estratégia que integra prevenção e diagnóstico precoce.  

Uma parcela relevante dos casos está associada a fatores modificáveis, como sedentarismo, obesidade e consumo de álcool, o que torna a promoção de hábitos saudáveis parte essencial do cuidado. 

Paralelamente, a estratificação de risco individual, considerando história familiar, fatores reprodutivos e indicação de aconselhamento genético, permite definir estratégias de rastreamento mais adequadas a cada mulher. 

1. Prevenção primária

  • manutenção do peso corporal: manter o índice de massa corporal saudável reduz o acúmulo de estrogênio no tecido gorduroso; 
  • prática regular de exercícios: atividades aeróbicas e de fortalecimento auxiliam no controle hormonal e na imunidade; 
  • alimentação balanceada: dieta rica em fibras, frutas e vegetais, reduzindo ultraprocessados; 
  • amamentação: o ato de amamentar protege o tecido mamário ao diminuir o número de ciclos menstruais. 

2. Prevenção Secundária 

A prevenção secundária ao câncer de mama está relacionada com a realização de exames preventivos, em especial a mamografia. O acompanhamento é indicado para:  

  • Mulheres de 40 a 74 anos: a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e as diretrizes atualizadas do Ministério da Saúde recomendam a realização da mamografia de rotina a partir dos 40 anos; 
  • Mulheres com alto risco genético: pessoas com histórico familiar direto ou mutações BRCA1/2 devem iniciar o acompanhamento individualizado com mamografia e ressonância magnética a partir dos 30 anos. 

Sendo assim, a efetividade dessas medidas depende de fatores que podem ultrapassar o campo do meu atendimento profissional como médica.  

Desigualdades no acesso, baixa adesão ao rastreamento, medo do diagnóstico e a sobrecarga de responsabilidades que muitas mulheres assumem contribuem para diagnósticos em estágios mais avançados.  

Por isso, defendo um cuidado que junta evidência científica, comunicação clara e acolhimento, fortalecendo a autonomia da mulher sobre a própria saúde. 

Resumo sobre prevenção primária e secundária 

Característica Prevenção primária Prevenção secundária 
Objetivo Evitar que o tumor se desenvolva no organismo. Identificar o tumor no início, antes dos sintomas. 
Ações práticas Exercícios, alimentação saudável, redução de álcool. Mamografia digital, ultrassonografia e ressonância. 
Redução de risco Capaz de evitar até 30% dos diagnósticos da doença. Eleva as chances de cura para mais de 95%. 
Indicação etária Recomendada para todas as mulheres em qualquer idade. Recomendada anualmente a partir dos 40 anos. 
Profissional responsável Equipe multidisciplinar (nutrição, educação física). Mastologista, ginecologista e radiologista. 

Checklist preventivo para o câncer de mama 

Se você está em dúvida sobre se é o momento ou não de começar a prevenção do câncer de mama, nós preparamos um checklist interativo para ajudar você em sua decisão: 

Quando fazer mamografia?

Descubra se está na hora de um exame preventivo.

1. Você apresenta algum destes sintomas atualmente?
2. Histórico Familiar (Parentes de 1º Grau)
3. Qual é a sua faixa etária?

Tratamentos para o câncer de mama 

O tratamento para o câncer de mama é personalizado de acordo com o tipo do tumor, o tamanho da lesão e a fase do diagnóstico. 

A medicina atual prioriza técnicas menos invasivas que garantem o controle da doença, preservando a estética e a qualidade de vida da paciente: 

1. Tratamentos cirúrgicos 

  • cirurgia conservadora (quadrantectomia): Remoção apenas do tumor com margem de segurança, preservando a maior parte do tecido mamário; 
  • mastectomia com reconstrução imediata: indicada para tumores maiores ou múltiplos, o procedimento retira completamente da mama afetada, sendo acompanhado por reconstrução cirúrgica com prótese ou retalho muscular;
  • pesquisa de linfonodo sentinela: avaliação das axilas para evitar a retirada desnecessária de todas os linfonodos, prevenindo o inchaço no braço. 

2. Quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia 

  • quimioterapia: medicamentos sistêmicos usados antes da cirurgia para reduzir o tumor ou após a cirurgia para eliminar células residuais; 
  • radioterapia: aplicação de radiação local para destruir células tumorais remanescentes no tecido mamário; 
  • hormonioterapia: uso diário de medicamentos como tamoxifeno ou inibidores da aromatase por 5 a 10 anos para bloquear receptores hormonais em tumores sensíveis;
  • terapias-alvo e imunoterapia: medicamentos específicos que atacam proteínas alteradas nas células cancerígenas como o HER2. 

A Cannabis Medicinal como terapia adjuvante 

O canabidiol atua como um importante aliado na redução de efeitos colaterais provocados pelo tratamento oncológico convencional. 

Embora não substituam as terapias focadas na eliminação do tumor, os fitocanabinoides auxiliam no manejo dos efeitos colaterais da quimioterapia e dos tratamentos hormonais de longo prazo. Dentro de uma abordagem clínica abrangente, a cannabis medicinal proporciona: 

  • alívio de enjoos e resgate do apetite: combate eficaz contra náuseas e vômitos refratários causados pelos quimioterápicos;
  • manejo de dores articulares e neuropáticas: redução de dores nas articulações provocadas pelos inibidores da aromatase e alívio da neuropatia periférica;
  • melhora do sono e controle da ansiedade: Suporte emocional para amenizar a ansiedade e os distúrbios de sono durante o tratamento. 

Perguntas Frequentes