Foto: Envato
Lúpus é uma condição que se desenvolve a partir do sistema imunológico e pode afetar diversos órgãos. Embora seja uma doença de difícil detecção, ela está presente em aproximadamente 65 mil brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia.
A doença faz parte da campanha de Fevereiro Roxo, que busca conscientizar a população sobre essa e mais duas condições de saúde: fibromialgia e Alzheimer.
Um fator comum entre as três patologias é que todas podem ser tratadas com cannabis. Por outro lado, uma caraterística específica do lúpus é a carência de informações sobre suas causas e tratamentos disponíveis. E por esse motivo, a terapia canabinoide acaba ficando mais distante da maioria dos portadores.
Continue a leitura para entender mais sobre o uso dos canabinoides para tratar o lúpus.
O que é o lúpus?
Também segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o lúpus eritematoso sistêmico (ou apenas lúpus) é uma doença inflamatória crônica e autoimune.
Cabe destacar que patologias consideradas autoimunes são aquelas causadas por algum problema do próprio sistema imunológico. Em outras palavras, os mecanismos de defesa do corpo atacam as células saudáveis, enfraquecendo o organismo e causando doenças.
Podemos classificar os tipos de lúpus em dois grupos:
- Cutâneo: que se manifesta através de manchas avermelhadas na pele.
- Sistêmico: capaz de se desenvolver em mais de um órgão.
Em geral, as regiões mais afetadas além da pele são as articulações, coração, rins, pulmão, vasos sanguíneos e as estruturas do sistema nervoso.
O que leva uma pessoa a ter lúpus?
Embora as causas ainda não sejam conhecidas, a ciência sabe que fatores genéticos e hormonais podem colaborar para o desenvolvimento da doença.
No caso do lúpus cutâneo, o contato excessivo com raios solares é tido como uma das principais razões para o aparecimento das manchas. Contudo, isso não acontece com todos os pacientes e os órgão afetados nem sempre são os mesmos.
O fato é que o contato com o sol e outros fatores externos pode causar alterações na produção de anticorpos, confundindo o sistema imunológico que ataca células saudáveis.
A cannabis pode tratar casos de lúpus?
Assim como em outros exemplos de doenças autoimunes, a cannabis pode trazer benefícios através do Sistema Endocanabinoide (SEC). Presente em todos os seres humanos, é responsável por regular a homeostase, função natural do corpo que mantém os processos do corpo em equilíbrio, incluindo o sistema imunológico.
Conheça mais no vídeo abaixo:
Por outro lado, ainda não existem evidências concretas sobre o uso de canabinoides para tratar a patologia. As descobertas iniciais são baseadas em estudos de diferentes níveis, e caberá aos médicos decidir se irão prescrever a terapêutica para seus pacientes.
Estudos científicos
Segundo um estudo italiano que avaliou a relação entre o SEC e a resposta imunológica no controle do lúpus. A conclusão sugere que “abastecer” o corpo com fitocanabinoides, que são os componentes da cannabis, pode aumentar a capacidade de modular o sistema imunológico.
Combinando os dados, um outro estudo publicado na revista científica “Experimental Dermatology” sugere que a anandamida, um endocanabinoide produzido pelo corpo humano, também pode ajudar na regulação imunológica.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram ratos geneticamente modificados, separando-os em dois grupos: um recebeu o tratamento com nanopartículas de anandamida e outro um placebo. Depois de dez dias, a conclusão foi que os animais que receberam o composto completo apresentaram redução no tamanho e gravidade das lesões causadas pelo lúpus.
A relação disso com a cannabis (embora faltem estudos) é que o canabidiol (CBD) e outros componentes possuem ação anti-inflamatória, analgésica e imunossupressora, podendo modular a resposta às inflamações, algo que já é feito pelo Sistema Endocanabinoide.
Por fim, uma revisão sistemática feita por pesquisadores brasileiros a partir de uma base com mais de 200 artigos apontou que alguns fitocanabinoides podem reduzir as respostas inflamatórias erradas, através da modulação do SEC. Foram avaliados estudos com canabinoides naturais e sintéticos.
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