Descubra o que é a síndrome do pôr do sol em pacientes com Alzheimer e como a cannabis medicinal pode contribuir para o tratamento dos sintomas da doença.
A síndrome do pôr do sol é uma condição associada ao Alzheimer e tem como principal característica aumento de sintomas como agitação, confusão, ansiedade e irritabilidade no final da tarde.
A doença de Alzheimer é uma condição progressiva, sem cura e que afeta diretamente o comportamento, emoções e a forma como o cérebro interpreta o mundo.
Para ajudar você a entender melhor a síndrome do pôr do sol e o Alzheimer, a Cannalize preparou um guia completo sobre a condição e como a cannabis medicinal atua na redução dos sintomas e contribui para o tratamento.
O que é a síndrome do pôr do sol no Alzheimer?
A síndrome do pôr do sol é a piora dos sintomas comportamentais e emocionais em pacientes com Alzheimer entre o final da tarde e o começo da noite.
Em um estudo recente publicado pelo portal Psychiatry Investigation, estima-se que aproximadamente 66% pacientes com demência sofram de síndrome do pôr do sol.
A condição se desenvolve a partir da evolução do Alzheimer, que compromete a capacidade do cérebro em:
- interpretar o ambiente ao redor;
- organizar o tempo entre dia e noite;
- responder de forma estável aos estímulos.
A grande questão sobre a intensificação dos sintomas de demência: à medida que a luz natural vai diminuindo, o cérebro do paciente perde a capacidade de regular o relógio biológico e lidar com o cansaço acumulado.
Essa confusão é o gatilho que faz com que sintomas como ansiedade, agitação e irritabilidade se intensifiquem nesse período do dia.
É importante lembrar que a transição entre dia e noite não é o único episódio responsável pela síndrome do pôr do sol. Outros fatores que podem desencadear as crises são:
- cansaço físico e mental;
- pouca iluminação ou sombras;
- excesso de estímulos (barulho, TV, muitas pessoas);
- dor ou desconforto não percebido;
- fome, sede ou desidratação;
- mudanças bruscas na rotina.
Principais sintomas da síndrome do pôr do sol
Os sintomas de síndrome do pôr do sol em pessoas portadoras de Alzheimer podem variar de acordo com o estágio da doença ou condição da pessoa. No entanto, os sinais mais comuns são:
- desorientação;
- dificuldade de reconhecer pessoas;
- confusão sobre tempo e lugar;
- ansiedade;
- medo;
- irritabilidade;
- choro;
- andar sem parar;
- agressividade;
- acompanhar o cuidador constantemente;
- gritar e exigir atenção;
- dificuldade para dormir;
- acordar várias vezes;
- inversão do ciclo dia/noite.
Como acalmar um paciente de Alzheimer com síndrome do pôr do sol?
O controle da síndrome do pôr do sol em pessoas com Alzheimer é feito a partir de terapias multidisciplinares. O primeiro passo é bastante simples e consiste no ajuste do ambiente, da rotina e nos estímulos, de acordo com orientações da Alzheimer’s Association.
1. Regulação do relógio biológico
Ajustar a exposição à luz é uma maneira para controlar os acessos de síndrome do pôr do sol. O objetivo principal é sinalizar ao cérebro quando é dia e quando é noite, evitando a confusão mental. Para isso:
- garanta exposição ao sol pela manhã;
- mantenha ambientes bem iluminados no fim do dia;
- redução de sombras que possam causar confusão.
2. Estabelecimento de rotina
Mudanças bruscas no dia a dia aumentam a insegurança e aumentam a agitação de portadores de Alzheimer no final do dia. Uma alternativa de contenção é criar uma rotina previsível e estruturada. Algumas dicas são:
- manter horários fixos para refeições e sono;
- organizar atividades durante o dia;
- evitar mudanças bruscas na rotina.
3. Redução de estímulos sensoriais
Ao final do dia, o cérebro de um paciente com Alzheimer tem menor capacidade de processamento de estímulos complexos.
Por isso, locais com muito barulho, televisão alta ou com concentração de pessoas, podem estimular a agitação mental. Para evitar esse tipo de problema, algumas boas práticas são:
- reduzir ruídos como TV, rádio e conversa alta;
- evitar ambientes com concentração de pessoas;
- manter o espaço tranquilo e organizado.
4. Estímulo ao relaxamento
Estimular o relaxamento é uma técnica usada para reduzir quadros de ansiedade e agitação que aumentam a intensidade da síndrome do pôr do sol. Se você que a pessoa está começando a se agitar, tente:
- usar música calma e conhecida;
- incentivar contato emocional com voz tranquila e toque);
- propor atividades simples e repetitivas.
5. Investir em sono e descanso de qualidade
Um dos principais gatilhos da síndrome do pôr do sol é o cansaço ao longo do dia. Uma das melhores maneiras de prevenir essa situação é investir na higiene do sono com os seguintes cuidados:
- evitar cochilos longos durante o dia;
- manter rotina regular de sono;
- incentivar exposição à luz natural;
Quando considerar tratamento com medicamentos?
O uso de medicamentos para o tratamento da síndrome do pôr do sol em pacientes com Alzheimer só deve ser considerado nas seguintes condições:
- risco para o paciente ou cuidador;
- sintomas intensos;
- as medidas para acalmar não apresentem resultado.
A grande questão que envolve o uso de medicamentos tradicionais são os efeitos colaterais como, por exemplo, excesso de sedação e redução na capacidade cognitiva. Por isso, esse tipo de terapia só é adotado em situações especiais.
Cannabis medicinal, alzheimer e a síndrome do pôr do sol
A cannabis medicinal, devido à baixa incidência de efeitos colaterais, tem se tornado uma alternativa para o controle dos principais sintomas de Alzheimer e síndrome do pôr do sol.
O CBD é uma substância que interage diretamente com o sistema endocanabinoide contribuindo para regular o sono, inflamações, oscilações de humor e proporcionar o relaxamento natural.
Por conta dessas características, a cannabis medicinal consegue reduzir a insônia, a ansiedade e a agitação de um paciente com Alzheimer. Dessa maneira, o tratamento promove a qualidade de vida e evita os acessos da síndrome.
No entanto, vale ressaltar que a cannabis medicinal não substitui a terapia principal focada no comportamento do paciente.
Além disso, qualquer tratamento com cannabis deve ser individualizado e contar com prescrição e acompanhamento médico contínuo. Só assim será possível resguardar a qualidade de vida do paciente que sofre com síndrome do pôr do sol.
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