Além do óleo, pesquisas sobre inflorescências de cannabis têm ganhado destaque no cenário científico internacional e mostrado que a cannabis in natura também é eficaz para condições específicas.
As flores concentram os principais canabinoides e terpenos, compostos que interagem com o Sistema Endocanabinoide humano e despertam interesse para aplicações médicas. São a parte mais rica em THC (tetrahidrocanabinol) e CBD (canabidiol). Esses compostos modulam funções como dor, sono, humor e inflamação.
São delas que se extraem todos os produtos de cannabis, como óleos, gummies e pomadas. Contudo, o que muita gente não sabe, é que é possível utilizá-las de forma inalada e ainda assim ser medicinal.
A seguir, listamos cinco tipos de vantagens das inflorescências de cannabis baseada em ciência:
1. Efeito mais rápido
Em vez de percorrer todo o trato intestinal para fazer o efeito, processo que demora em média 30 minutos, a inalação das flores percorre o pulmão e entra diretamente na corrente sanguínea em questão de poucos minutos.
Inclusive, o uso vaporizado é o uso preferido pelos pacientes. Pelo menos foi o que mostrou uma pesquisa publicada em 2015 no Canadian Journal of Respiratory Therapy.
Segundo o estudo, muitos usuários medicinais preferem a flor vaporizada de cannabis a extratos mais concentrados, justamente por proporcionar efeitos rápidos e menor risco de tolerância com o uso prolongado.
Benefício que pode ser bastante útil para pacientes com espasticidade, crises epilépticas e dores agudas. Por muitas vezes, eles precisam de resultados imediatos que podem ser obtidos através das inflorescências de cannabis.
2. Menos prejudicial que o tabaco
Mesmo quem prefere fumar a maconha ao invés de fazer a vaporização, é mais saudável do que quem fuma tabaco. Um estudo também publicado em 2015 em Israel, por exemplo, acompanhou fumantes habituais de cannabis por 20 anos e não encontrou nenhuma ligação entre câncer de pulmão e uso de cannabis medicinal.
O que realmente faz mal é a combustão gerada pelo cigarro de cannabis, que pode ser nociva. Já o uso de vaporizadores garante o aquecimento sem queimar, liberando os canabinoides de forma mais segura e preservando os terpenos.
3. Útil na redução de danos
As flores também são úteis em estratégias de redução de danos, que visam minimizar os riscos associados ao consumo de substâncias. Em vez da abstinência, propõe-se a substituição por alternativas mais seguras.
Um estudo internacional publicado em setembro, por exemplo, analisou dados de 20 países e encontrou uma diminuição no consumo de tabaco e o aumento das vendas de cannabis medicinal. Isso sugere um efeito de substituição: em locais onde a cannabis é legalizada para fins terapêuticos, parte da população opta por usá-la em vez de fumar cigarros.
Além disso, o estudo apontou que a diminuição do uso de anfetaminas também está associada às vendas de cannabis medicinal, indicando uma dinâmica semelhante. Os pesquisadores destacaram que mercados bem regulamentados de cannabis podem gerar benefícios econômicos e de saúde pública, desde que acompanhados por estruturas legais abrangentes que incluam licenciamento e padrões de produção.
Um estudo brasileiro também mostrou esse fenômeno. Feito pela UNB (Universidade de Brasília) e publicado na revista International Journal of Mental Health and Addiction, o tratamento de usuários de crack com o CBD tem melhores resultados na redução de dependência que medicamentos convencionais usados nos CAPS AD (Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas).
4. Efeito comitiva
As inflorescências também carregam todos os compostos presentes na cannabis, como os canabinoides e os terpenos. Dessa forma, não é possível separar o CBD do THC ou de outros canabinoides menores. O que não é necessariamente ruim.
O uso de todos os compostos juntos promove o chamado efeito entourage ou efeito comitiva, no qual a interação entre compostos da flor pode potencializar efeitos terapêuticos.
Uma revisão publicada na Frontiers in Pharmacology analisou a composição química das flores de cannabis, destacando a diversidade de canabinoides e terpenos presentes nas inflorescências. O estudo reforça a importância do efeito entourage.
5. Inclusão na Farmacopeia Brasileira
Em novembro do ano passado, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) incluiu as inflorescências de cannabis na Farmacopeia Brasileira. Trata-se de uma espécie de guia que serve para a produção de medicamentos no país. Ou seja, um documento que determina as diretrizes para a fabricação e estabelece padrões de qualidade de produtos farmacológicos.
A decisão reforçou que as flores possuem valor terapêutico próprio, distinto de outros derivados. O documento da Anvisa enfatiza que a padronização das flores é essencial para garantir segurança e eficácia, reconhecendo-as como insumo farmacêutico oficial.
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No Brasil, a legislação só permite o uso medicinal da cannabis e apenas com receita médica. E o primeiro passo para ter acesso é agendar uma consulta.
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