A busca por um remédio para emagrecer acompanha a história recente da medicina. Entre os mais conhecidos estão a sibutramina e o orlistate, dois fármacos que marcaram gerações de pacientes e ainda hoje são prescritos em alguns contextos.
No entanto, com o surgimento de novas terapias, como os análogos do GLP-1, cresce a dúvida: será que sibutramina e orlistate ainda valem a pena?
A sibutramina foi aprovada no Brasil no final da década de 1990. Seu mecanismo de ação é central: ela atua no sistema nervoso, inibindo a recaptação de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina.
Esse efeito aumenta a saciedade e reduz a ingestão calórica. Estudos mostram que pacientes podem perder entre 5% e 10% do peso corporal em até um ano quando o medicamento é associado a dieta e exercícios.
No entanto, a sibutramina não é isenta de riscos. Ela pode elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca, sendo contraindicada para pessoas com histórico de infarto, AVC ou arritmias. Além disso, efeitos como insônia, boca seca e constipação são relativamente comuns.
O papel do orlistate no tratamento da obesidade
O orlistate, por sua vez, foi aprovado pouco depois e tem um mecanismo completamente diferente. Ele age no trato gastrointestinal, inibindo a lipase pancreática, enzima responsável pela digestão da gordura.
Como resultado, parte da gordura ingerida não é absorvida e é eliminada pelas fezes. Essa ação pode levar a uma perda de 5% a 7% do peso corporal em um ano, além de melhorar parâmetros metabólicos como colesterol e glicemia.
O problema é que os efeitos colaterais gastrointestinais são frequentes: diarreia, cólicas e urgência evacuatória, especialmente em dietas ricas em gordura. Por isso, a adesão ao tratamento costuma ser um desafio.
Estudos que avaliaram a combinação dos dois medicamentos
Houve tentativas de combinar sibutramina e orlistate. Um estudo brasileiro publicado nos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia avaliou 114 pacientes obesos tratados com os dois medicamentos.
Após três meses, a perda média de peso foi de 8,9 kg, equivalente a 8,2% do peso corporal. Apesar dos resultados, a associação não se tornou prática comum, já que aumenta o risco de efeitos adversos e exige acompanhamento rigoroso.
Benefícios e limitações de cada opção
Quando analisamos os benefícios, fica claro que ambos os medicamentos podem ajudar. A sibutramina reduz o apetite e favorece a perda de peso em pacientes sem risco cardiovascular. O orlistate, por outro lado, pode ser útil em pessoas com alterações metabólicas, já que melhora colesterol e glicemia.
Ambos, no entanto, apresentam limitações importantes. A sibutramina não pode ser usada em grande parte da população devido ao risco cardíaco, enquanto o orlistate tem baixa tolerabilidade por causa dos efeitos gastrointestinais.
Novas alternativas e mudanças nas diretrizes
Nos últimos anos, novas opções mudaram o cenário. Os análogos do GLP-1, como liraglutida e semaglutida, mostraram resultados muito superiores.
Ensaios clínicos apontam reduções de até 15% do peso corporal em um ano, além de benefícios adicionais no controle da glicemia e na redução do risco cardiovascular. Essas terapias, embora mais caras, oferecem eficácia e segurança que colocam sibutramina e orlistate em segundo plano.
As diretrizes mais recentes da ABESO e da SBEM (2024) reforçam esse ponto. Elas reconhecem que sibutramina e orlistate ainda podem ser prescritos, mas deixam claro que devem ser usados em situações específicas, sempre com acompanhamento médico e associados a mudanças no estilo de vida.
Em outras palavras, não são mais os protagonistas do tratamento da obesidade, mas ainda têm espaço quando as opções mais modernas não estão disponíveis ou não são indicadas para determinado paciente.
Conclusão: ainda valem a pena?
Portanto, a resposta para a pergunta inicial é equilibrada. Sibutramina e orlistate ainda podem valer a pena em alguns casos, mas não são a primeira escolha.
Eles representam uma geração de medicamentos que ajudou a abrir caminho para terapias mais eficazes. Hoje, seu uso deve ser criterioso, considerando riscos, benefícios e alternativas.
Para quem busca um remédio para emagrecer, é essencial entender que nenhum medicamento funciona sozinho.
A perda de peso sustentável depende de mudanças no estilo de vida, acompanhamento profissional e, quando necessário, o uso de fármacos adequados ao perfil de cada paciente.
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