Já usou o Tramal alguma vez na vida? O cloridrato de tramadol é um opioide indicado para aliviar dores de intensidade moderadas a grave. Mas a cannabis também é bastante utilizada no tratamento de dores. Por isso, será que a troca é possível?
Conversamos com o diretor médico da Cannect, Rafael Pessoa, que nos ajudou a entender melhor quais são as vantagens e desvantagens de cada um.
Vamos começar com o Tramal. No mercado desde 1977, o medicamento possui uma estrutura parecida com a morfina, embora a sua potência seja 10 vezes menor.
O problema é que o remédio também possui algumas desvantagens que é preciso considerar.
A primeira delas, é o potencial de dependência. Apesar de ser menor em comparação com outros opioides, ele ainda existe. Tanto é que a recomendação é que o medicamento seja utilizado apenas em casos refratários, ou seja, quando a utilização de outros remédios não funcionam.
As suas principais indicações são:
- Dor pós operatória;
- Dor oncológica;
- Traumas;
- Infarto;
- Dor neuropática;
- Dores crônicas, como fibromialgia, osteoartrite, dores na lombar e artrite reumatoide.
Cannabis X Tramal
Diferente do Tramal, que trabalha através de receptores opioides, a cannabis trabalha através de receptores endocanabinoides, que estão presentes em boa parte do organismo, inclusive no sistema nervoso central.
O diretor médico explica que a cannabis é mais segura que o Tramal porque não há receptores endocanabinoides nas células tronco. “Ou seja, não é possível uma parada respiratória no consumo em maiores quantidades, diferente aos opioides que tem os receptores abundantes”, acrescenta.
Outro ponto importante do tratamento com a cannabis, são as melhoras além da dor. Além da ação analgésica, a cannabis ainda ajuda em outras condições do corpo, restaurando a qualidade de vida.