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Saiba como funciona a primeira consulta com cannabis medicinal

Dr. Guilherme Marques | Médico e CMO da Cannect
Revisão médica: Dr. Guilherme Marques | Médico e CMO da Cannect
Médico e CMO da Cannect 19/04/2023 9 min de leitura
Conteúdo Verificado

Médica recendo o paciente para a primeira receita com cannabis medicinal

Resumo Rápido

Na consulta para tratamento com cannabis medicinal, o médico avalia o histórico clínico, analisa interações com outros remédios, escolhe o perfil do extrato (CBD, THC, CBG) e cria um plano de dose personalizada (titulação).

A primeira consulta para começar um tratamento com cannabis medicinal é uma avaliação clínica detalhada. O médico precisa entender o quadro completo: o que já foi tentado, o que funcionou em parte e quais medicamentos você usa hoje.

Só depois disso ele decide se os canabinoides fazem sentido para o seu caso, na maioria das vezes como um tratamento complementar aos que você já faz. 

Esse não é um tipo de medicina à parte. É prática médica comum, com os mesmos critérios de indicação, acompanhamento e responsabilidade de qualquer outro tratamento. O que muda é que a resposta varia bastante de pessoa para pessoa, e por isso a dose é construída caso a caso. 

Os canabinoides agem sobre o sistema endocanabinoide, uma rede de receptores e substâncias produzidas pelo próprio corpo, distribuída por vários órgãos.

É essa distribuição ampla que explica por que a pesquisa investiga usos tão diferentes. Não existe, porém, exame de rotina que meça esse sistema: a avaliação é clínica, feita pela conversa e pelo exame. 

Como se preparar para a sua primeira consulta 

Chegar preparado, na consulta presencial ou online, ajuda o médico a enxergar seu quadro com precisão, leve: 

O que levar Detalhes Por que é importante 
Lista de medicamentos Nomes e doses de tudo que você usa, incluindo suplementos e fitoterápicos. Os canabinoides podem alterar o efeito de outros remédios, porque disputam a mesma via de metabolização no fígado. 
Exames e laudos recentes Exames de sangue, de imagem e relatórios de outros médicos. Sustentam a indicação e mostram o que já foi tentado antes. 
Diário de sintomas Frequência das crises, horários em que a dor ou a ansiedade pioram, qualidade do sono. Cria o ponto de partida para medir se o tratamento está funcionando. 
Documentos pessoais RG, CPF e comprovante de residência. Necessários para o cadastro na Anvisa, caso o caminho escolhido seja a importação. 

As 5 etapas da primeira consulta com cannabis medicinal

Uma consulta se divide em cinco fases integradas, que conectam a avaliação biológica ao planejamento exato de dosagem e à definição do caminho legal para a compra do medicamento: 

1. Avaliação clínica e definição do objetivo

Começa como qualquer consulta: história, exame físico, revisão dos exames e dos tratamentos anteriores. Em seguida, médico e paciente definem juntos qual sintoma será o alvo, por exemplo dor, sono ou ansiedade, e como essa evolução será medida ao longo do tempo. 

2. Mapeamento das interações medicamentosas

Essa etapa costuma ser a mais decisiva. O CBD e o THC influenciam enzimas do fígado que também processam outros medicamentos, e isso pode aumentar ou reduzir o efeito deles, que é uma característica da polifarmácia.

Exigem atenção especial os anticoagulantes, alguns anticonvulsivantes, imunossupressores e remédios psiquiátricos. Em certos casos, o médico pede exames de sangue de acompanhamento. 

3. Escolha do produto 

No Brasil, os produtos autorizados pela Anvisa aparecem em duas categorias: canabidiol, quando o princípio ativo é o CBD purificado, e extrato de Cannabis, quando o produto vem do extrato da planta e pode conter outros canabinoides.

  • Full Spectrum: extrato completo com CBD, THC, CBG, CBN e terpenos (ideal para potencializar o efeito entourage); 
     
  • Broad Spectrum: preserva canabinoides e terpenos, mas com 0% de THC; 
     
  • Isolado: contém apenas o CBD em estado puro (indicado para casos específicos ou restrições profissionais ao THC). 

Atenção ao rótulo. Nos produtos do tipo extrato de Cannabis, o número em mg/mL impresso no rótulo pode se referir ao extrato inteiro, e não ao CBD sozinho. A quantidade de CBD que serve para calcular a dose está na bula. 

4. O plano de dose 

Não existe dose padrão. O princípio é começar com pouco e aumentar devagar, com ajustes a cada poucos dias, até encontrar a menor dose que traga benefício sem efeitos incômodos.

Quando o produto contém THC, o início é ainda mais cauteloso e a primeira tomada costuma ser à noite. Todos os números são definidos pelo seu médico: não aumente a dose por conta própria. 

A dose é contada em miligramas, não em gotas. O tamanho da gota muda conforme o frasco e o fabricante, em geral entre 30 e 50 gotas por mililitro. Use sempre a informação do produto que você recebeu, ou a seringa dosadora, quando houver. 

Importante: a absorção do CBD por via oral é baixa e bastante variável, e aumenta bastante quando a tomada acontece junto de uma refeição com gordura. Por isso, mantenha o horário e o padrão de alimentação combinados na consulta. 

5. A receita e o caminho para conseguir o produto 

A consulta termina com a emissão dos documentos. Existem dois caminhos legais, com exigências diferentes: 

Caminho O que o médico emite Como o produto chega até você 
Compra em farmácia (produto com autorização da Anvisa) Receita de Controle Especial em duas vias, quando o THC é de até 0,2%. Quando o THC passa de 0,2%, a prescrição vai acompanhada de Notificação de Receita “A”, situação reservada a doenças graves ou que ameaçam a vida. Nos dois casos, você assina um termo de consentimento. Retirada em farmácias e drogarias, com o farmacêutico. O prazo depende da disponibilidade do produto. 
Importação para uso próprio Receita simples, com nome completo do produto, concentração, posologia e quantidade para o período. Você faz um cadastro na Anvisa pelo portal Gov.br. Produtos que estão na lista da Agência podem ter liberação automática; os demais passam por análise. O cadastro vale 2 anos e a renovação exige receita nova. 

Atenção: esses produtos não são medicamentos registrados. Eles têm autorização sanitária, uma categoria própria, e o rótulo traz o aviso de que a eficácia e a segurança não foram avaliadas pela Anvisa. 

O mesmo vale para os produtos importados. É por isso que o acompanhamento médico é indispensável do início ao fim. 

A receita também tem prazo. A Receita de Controle Especial e a Notificação de Receita “A” valem 30 dias. Produtos com THC acima de 0,2% não são indicados para menores de 18 anos, gestantes e lactantes. 

Situações que pedem cuidado redobrado 

Nem todo mundo é candidato ao tratamento. Conte ao seu médico se alguma destas situações se aplica a você: 

Situação Por que importa 
Gravidez e amamentação Não há dados de segurança que sustentem o uso. Os canabinoides passam pela placenta e aparecem no leite materno. 
Idade avançada ou fragilidade Maior sensibilidade a quedas, tontura ao levantar e sonolência. O início é com dose menor e ajustes mais lentos. 
Histórico psiquiátrico com psicose ou mania O THC pode piorar o quadro. Nesses casos ele é evitado ou usado com cautela máxima e acompanhamento em saúde mental. 
Doença do coração O THC pode acelerar os batimentos e derrubar a pressão ao levantar. 
Problemas no fígado Dose inicial menor, ajustes mais lentos e possível acompanhamento por exames. 
Histórico de dependência química A escolha do produto e o plano de acompanhamento precisam ser definidos antes de começar. 
Dirigir, beber álcool ou usar calmantes O efeito sedativo se soma. Evite dirigir ou operar máquinas nas primeiras semanas e a cada aumento de dose de THC. 

O que acontece depois da consulta 

Sair da primeira consulta com a prescrição em mãos marca o encerramento do diagnóstico e o início da fase operacional do tratamento.  

Para garantir que a estratégia definida pelo médico traga os resultados esperados, a jornada do paciente compreender as seguintes etapas:  

1. Conseguir o produto 

Compra na farmácia, com a receita e o termo assinado, ou pedido de autorização de importação no portal Gov.br, quando esse for o caminho escolhido. 

2. Começar e anotar 

Registre o horário das tomadas, a dose em miligramas, o quanto o sintoma melhorou e qualquer reação, como boca seca, sonolência ou tontura. É esse registro que permite ao médico ajustar a dose com precisão no retorno. 

3. Tirar dúvidas do dia a dia 

O suporte farmacêutico ajuda com dúvidas práticas: como conservar o frasco, como converter a dose prescrita no volume a tomar e o que fazer se você esquecer uma dose. 

4. Consulta de retorno e reavaliação 

O retorno costuma acontecer entre 30 e 60 dias. Nele, o médico revisa seu diário, ajusta a dose e avalia se é o momento de reduzir aos poucos outras medicações. Essa redução, quando acontece, é sempre gradual. 

Acompanhamento contínuo é na Cannect + Pill 

Para quem procura acompanhamento desde a primeira consulta, o ecossistema Cannect + Pill reúne em um só lugar: 

  • Entrega programada dos produtos de uso contínuo. 
  • Acompanhamento com enfermeiros e farmacêuticos para orientar horários, administração e interações. 
  • Prescrições de uso contínuo e de cannabis medicinal centralizadas na mesma plataforma. 

Agende sua consulta e converse com um médico prescritor. 

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica individual. Nenhum tratamento ou produto específico está sendo recomendado ou endossado. O uso de produtos de cannabis depende de prescrição e acompanhamento profissional. 

Perguntas Frequentes

Sobre quem revisou este conteúdo

Dr. Guilherme Marques | Médico e CMO da Cannect

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Médico - Chief Medical Officer da Cannect Life


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